SEU MACÊPA
Já me referi a Macêpa anteriormente. É aquele afrodescendente sem dentes e sem teto. Numa determinada época, eu e alguns amigos nos cotizamos e compramos uma casinha popular para Macêpa. Houve ate uma festa de inauguração, que quase termina em morte porque o gordo do mel, um paquiderme de 200 quilos avançou na dobradinha e comeu meio caldeirão. Menos importa. O que valeu foi à felicidade de Macêpa com a sua primeira e única casa própria.
Felicidade maior teve na semana seguinte, quando trocou a casa numa geladeira, mas aí já nâo tinha mais casa onde colocar o eletrodoméstico e nós desistimos do plano habitacional de Macêpa à falta de qualquer noção de valores ou propriedade.
Não desistimos de ajudar, entretanto. Eu mesmo levei-o para morar comigo no Rio de Janeiro.. Dei ordens expressas ao porteiro, nas minhas ausências, para pedir a um restaurante próximo, onde eu mantinha conta corrente, que servissem a Macêpa as refeições solicitadas. Dez dias depois ele me pediu par voltar a João Pessoa,”porque não me aguentava mais”(vê se pode....) Embarquei o hospede num vôo da Cruzeiro do Sul e voltei pra acertar as contas com o restaurante. O infeliz das costas ôcas tinha comido “apenas” 40-isso mesmo- quarenta pratos de estrogonofe de camarão.. em dez dias!!!
Desse período no Rio, cabe uma lembrança. Macêpa dormia nas dependências de empregada do meu apartamento, e logo no segundo dia de estada do ilustre “hospede”, lá pela meia noite, voltei para casa da boate Hipopotamus acompanhado de um amigo paraibano e duas excelentes namoradas cariocas. Ficamos na sala dançar e namorar, e....sabe como é né? As moças deviam estar com muito calor, porque foram tirando as roupas e jogando no chão.
Evidentemente eu esquecera Macêpa, que devia estar dormindo desde cedo. Qual o quê. De repente o safado entrou na sala completamente nu,”armado”, aos berros; eu também quero, Dr. Marcos!.
Nunca mais tive noticias das moças.
Marcos Pires - Advogado
Nenhum comentário:
Postar um comentário